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A ciência, a tecnologia e a inovação são fundamentais para enfrentar a pandemia e avançar rumo a uma recuperação transformadora com igualdade e sustentabilidade na região

Alicia Bárcena, Secretária-Executiva da CEPAL, e os Ministros Santiago Cafiero e Daniel Filmus, da Argentina, e Paola Vega Castillo, da Costa Rica, participaram da abertura da Terceira Reunião da Conferência sobre Ciência, Inovação e Tecnologias de Informação e Comunicação realizada de forma presencial em Buenos Aires.

13 de dezembro de 2021|Notícia

A ciência, a tecnologia e a inovação (CTI) são fundamentais não só para enfrentar a pandemia da COVID-19, mas também para avançar rumo a uma recuperação transformadora com igualdade e sustentabilidade na região, afirmaram hoje autoridades e funcionários internacionais durante a abertura da Terceira Reunião da Conferência de Ciência, Inovação e Tecnologias de Informação e Comunicação organizada de forma híbrida pela Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (CEPAL) e pelo Governo da Argentina.

O evento, que termina na quarta-feira, 15, foi inaugurado de forma presencial em Buenos Aires, Argentina, por Alicia Bárcena, Secretária-Executiva da CEPAL; Daniel Filmus, Ministro da Ciência, Tecnologia e Inovação da Argentina; Paola Vega Castillo, Ministra da Ciência, Inovação, Tecnologia e Telecomunicações da Costa Rica; e Santiago Cafiero, Ministro das Relações Exteriores, Comércio Internacional e Culto da Argentina (por vídeo).

“A ciência, a tecnologia e a inovação têm sido essenciais para o gerenciamento da crise da saúde/crise sanitária - com vacinas desenvolvidas com recursos públicos em tempo recorde - mas também são indispensáveis para uma recuperação transformadora com maior igualdade e sustentabilidade ambiental na América Latina e no Caribe”, afirmou Alicia Bárcena durante a cerimônia de abertura. A pandemia indicou e tem colocado em evidência graves assimetrias entre o mundo desenvolvido e os países em vias de desenvolvimento no acesso a vacinas, concentração de riqueza e renda, economia digital e responsabilidades climáticas, que ameaçam intensificar.

Nos países desenvolvidos, as indústrias de alta e média tecnologia representam quase 50% do total do valor agregado, nos países em desenvolvimento 40% e nos menos desenvolvidos 9%, exemplificou.

Nesse contexto, Bárcena destacou a recente aprovação pela Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (CELAC) do Plano de Autossuficiência em saúde para a América Latina e o Caribe elaborado pela CEPAL. “Temos conhecimentos e capacidades. Estamos prontos para criar uma plataforma regional de ensaios clínicos e reguladores”, sublinhou.

Daniel Filmus, Ministro da Ciência, Tecnologia e Inovação da Argentina, ressaltou que o modelo produtivo da América Latina e do Caribe não permite crescer e distribuir. “Não há processo de desenvolvimento sustentado se não se incorpora a ciência e a tecnologia”, afirmou e pediu para avançar na integração econômica e logística. “Nossos países estão exportando mão de obra porque não podemos competir com os salários”, considerou e acrescentou que “temos que pensar e criar - com a ajuda da CEPAL - estratégias comuns. Na América Latina temos as ferramentas para isso, depende da política e de como somar esforços”. Em relação às vacinas, Filmus assegurou que “a Argentina e o Brasil estão em condições de gerar plataformas de vacinas e precisamos de integração desde o México até a Terra do Fogo. Termos alianças regionais”.

Por sua vez, a Ministra da Costa Rica, Paola Vega Castillo, destacou que uma das grandes lições da pandemia foi reposicionar a importância da digitalização, bem como a necessidade de acelerá-la e fechar as lacunas nacionais e regionais. “Temos muitos desafios pela frente em conectividade e alfabetização digital e científica para construir a sociedade que queremos. A ciência, a tecnologia e a inovação são uma ferramenta para alcançar a igualdade de oportunidades em nossos países”, afirmou a Ministra e avaliou a Conferência sobre a Ciência, a Inovação e as Tecnologias de Informação e Comunicação da CEPAL como um espaço propício para trabalhar em conjunto nessa direção.

“Sabemos que a economia do conhecimento é o setor com maior potencial: gera valor e emprego, amplia a capacidade exportadora e impacta diretamente na economia real e na qualidade de vida dos nossos povos”, afirmou, por vídeo, o chanceler Santiago Cafiero, que destacou o Plano de Autossuficiência em Saúde como um exemplo do rumo criativo e concreto que a Argentina deverá tomar quando for a anfitriã do 39º Período de Sessões da CEPAL” em 2022. “A Argentina considera a CEPAL como um aliado estratégico para promover uma agenda regional renovada que melhore as perspectivas para uma região que enfrenta desafios como a necessidade de melhorar a inclusão social, as expectativas de crescimento econômico, a infraestrutura física e o nível de investimento”, apontou.

Durante seu discurso, Alicia Bárcena exortou os países a aproveitarem a grande oportunidade que foi aberta com a pandemia para a ciência, a tecnologia e a inovação. “As capacidades não são geradas por si mesmas, são processos de longo prazo que requerem investimentos e estruturas produtivas complexas que demandam ciência e tecnologia. Nossa estrutura produtiva não requer ciência e tecnologia; temos que criar esse círculo virtuoso”, destacou.

“É o momento de avançar em direção à mudança estrutural que tem sido tão elusiva em nossa região. Temos que mudar o paradigma de desenvolvimento para passar de um modelo extrativista para um modo de produção sustentável. De uma cultura do privilégio para uma da igualdade. Devemos propiciar instrumentos redistributivos eficazes de conhecimento e de capital”, resumiu.

Após a inauguração, o Secretário-Executivo Adjunto da CEPAL, Mario Cimoli, apresentou as principais mensagens do documento de posicionamento: Inovação para o desenvolvimento: a chave para uma recuperação transformadora na América Latina e no Caribe, que indica que os sistemas de CTI dos países da América Latina e do Caribe são subfinanciados e concentrados em atividades de pesquisa básica e aplicada, com grandes lacunas em temas de desenvolvimento experimental, e que os planos de recuperação da pandemia representam uma oportunidade para reorientar as estratégias de CTI a serviço do desenvolvimento sustentável e para redesenhar a cooperação internacional nessa área.

O relatório também destaca a importância da indústria manufatureira da saúde, das tecnologias digitais para a indústria e da eficiência ambiental para promover uma mudança estrutural baseada na criação de conhecimento na região.

Nos vários painéis da Conferência, que ocorrerão de forma virtual, será discutida a relevância das instituições e das políticas públicas para impulsionar a ciência, a tecnologia e a inovação; a diáspora e a circulação de talentos na América Latina e no Caribe; o desenvolvimento de repositórios de genoma na região; a perspectiva de gênero nos sistemas de ciência, tecnologia e inovação; o papel da ciência e da tecnologia para a soberania em saúde; o papel das tecnologias digitais e dos novos modelos de negócios e capacidades produtivas das PMEs na era digital; a contribuição das tecnologias aeroespaciais e de satélite para o desenvolvimento sustentável; o desenvolvimento tecnológico e agregação de valor na cadeia do lítio; e a ecoinovação, transição energética e produção sustentável, entre outros.