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A alta prevalência de doenças não transmissíveis no Caribe está exacerbando o impacto da pandemia e dificultando o avanço da sub-região para o desenvolvimento sustentável

Alicia Bárcena, Secretária Executiva da CEPAL, e Camillo Gonsalves, Ministro das Finanças, Planejamento Econômico e Tecnologias da Informação de São Vicente e Granadinas, lideraram seminário sobre o tema antes da 20ª Reunião do Comitê de Monitoramento do Comitê de Desenvolvimento e Cooperação do Caribe.

4 de novembro de 2021|Comunicado de imprensa

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Alicia Bárcena, Secretaria Ejecutiva CEPAL, y el Ministro de Finanzas de de San Vicente y las Granadinas, Camillo Gonsalves
Alicia Bárcena, Secretária Executiva da CEPAL, e Camillo Gonsalves, Ministro das Finanças, Planejamento Econômico e Tecnologias da Informação de São Vicente e Granadinas.
Foto: CEPAL

A alta prevalência de doenças não transmissíveis no Caribe, tais como hipertensão, diabetes e câncer, está exacerbando o impacto da pandemia de COVID-19 e dificultando o avanço da sub-região na consecução do desenvolvimento sustentável por suas múltiplas consequências sanitárias, econômicas e sociais, alertaram autoridades, representantes de organismos internacionais e especialistas que participaram de um encontro virtual organizado pela Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (CEPAL) antes da Vigésima Reunião do Comitê de Monitoramento do Comitê de Desenvolvimento e Cooperação do Caribe (CDCC).

O Seminário sobre doenças não transmissíveis e seu impacto no desenvolvimento sustentável do Caribe (Seminar on non-communicable diseases and their impact on sustainable development in the Caribbean) foi aberto por Alicia Bárcena, Secretária Executiva da CEPAL, e Camillo Gonsalves, Ministro das Finanças, Planejamento Econômico e Tecnologias da Informação de São Vicente e Granadinas, com a moderação de Diane Quarless, Diretora da Sede Sub-regional da CEPAL para o Caribe, com sede em Port of Spain.

“Não só a pandemia de COVID-19 está fazendo estragos no Caribe”, afirmou Alicia Bárcena, ao destacar que se trata de “uma das sub-regiões do mundo com maior prevalência de doenças não transmissíveis (DNT)”.

Os dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) mostram que as DNT são a principal causa de morte nos países da sub-região, desde 57% em Haiti até 83% em Barbados, assegurou. Em cada país caribenho mais da metade das mortes anuais podem ser atribuídas a doenças não transmissíveis e estas são uma fonte significativa de deficiência, alertou a Secretária Executiva da CEPAL.

A pandemia agravou os riscos que as pessoas com doenças não transmissíveis enfrentam: não só seguem tendo um maior risco de morrer ou de sofrer uma doença grave por causa da infecção pela COVID-19, mas também foram afetadas por interrupções na atenção à saúde devido à sobrecarga dos serviços, explicou Alicia Bárcena.

Neste contexto, a alta representante das Nações Unidas instou a acelerar os esforços de vacinação. A taxa de vacinação completa no Caribe alcança 35,2%, com grande heterogeneidade entre países. Esta porcentagem, indicou, é inferior à taxa mundial (39,0%) e à da América Latina (47,5%).

“Toda a região da América Latina e do Caribe deve fortalecer a produção, distribuição e acesso a medicamentos e vacinas. Com este fim, a CEPAL apresentou o Plano de autossuficiência sanitária solicitado pela Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (CELAC). Estamos passando da formulação à implementação do plano, com pontos focais em todos os países e diversas reuniões planejadas para os próximos meses. Esperamos contar com a participação do Caribe”, expressou Alicia Bárcena.

Durante sua intervenção, o Ministro Camillo Gonsalves, de São Vicente e Granadinas, celebrou a oportunidade de abordar o problema das doenças não transmissíveis num momento em que todos os países do Caribe estão lutando contra a pandemia e muitos de seus ministros e líderes estão conversando sobre a mudança climática e o futuro da sub-região na 26ª Conferência das Partes na Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre a Mudança do Clima (COP 26).

“As doenças não transmissíveis são responsáveis por 6 das 10 principais causas de morte na sub-região” e impõem um grande custo econômico para os governos, pelo alto gasto em saúde, bem como para as pessoas, declarou o Ministro Gonsalves. As DNT impactam desproporcionalmente as pessoas em situação de pobreza, motivo pelo qual sua abordagem constitui um desafio de desenvolvimento para o Caribe, do mesmo modo que fenômenos como a mudança climática, comparou.

“As doenças não transmissíveis estão sob nosso controle, são preveníveis”, reconheceu o Ministro e assegurou que as atuais políticas não são efetivas porque não estão focadas suficientemente na prevenção nem estão tendo enfoques multissetoriais e coordenados.

O primeiro painel do seminário contou com intervenções de Kenneth George, Diretor Médico de Barbados; Fitzroy Henry, Professor na Faculdade de Ciências da Saúde da Universidade de Tecnologia da Jamaica; Kavita Singh, Pesquisadora Sênior na Fundação de Saúde Pública da Índia; e Francis Morey, Diretor Adjunto de Serviços de Saúde de Belize, com a moderação de Simon Anderson, Professor e Diretor do Centro de Pesquisa de Doenças Crônicas George Alleyne da Universidade das Índias Ocidentais, Campus Hill, Barbados. Posteriormente, Joy St. John, Diretora Executiva da Agência de Saúde Pública do Caribe, animou a discussão.

No segundo e último painel participaram Anselm Hennis, Diretor do Departamento de Doenças Não Transmissíveis e Saúde Mental da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS/OMS); Rachel Nugent, Vice-Presidente para Doenças não Transmissíveis Globais em RTI Internacional; Stanley Lalta, do Centro para a Economia da Saúde da Universidade das Índias Ocidentais, Campus St. Augustine, Trinidad e Tobago; e Rosa Sandoval, Coordenadora da Equipe de Doenças Não Transmissíveis da OPAS/OMS, com a moderação de Abdullahi Abdulkadri, funcionário da sede sub-regional da CEPAL no Caribe.

Os especialistas instaram os governos a investir numa abordagem integral das DNT, com foco no fortalecimento da atenção primária e na prevenção de fatores de risco, como alimentação inadequada, inatividade física e abuso de tabaco e álcool. Também instaram a considerar os crescentes problemas de saúde mental.

No encerramento do evento, Alicia Bárcena fez um resumo das ideias expressadas apresentando 10 mensagens. Em primeiro lugar, disse, a COVID-19 foi um lembrete da importância de abordar as doenças não transmissíveis. Como a atenção e o tratamento das DNT foram prejudicados durante a pandemia, urge apoiar os esforços dos serviços de saúde com inovações em telemedicina e outras soluções. Também indicou a necessidade de utilizar todas as ferramentas disponíveis para fomentar estilos de vida saudáveis, fortalecer a saúde primária e os programas baseados na comunidade e promover a segurança alimentar, a proteção social com foco na nutrição e o apoio aos agricultores.

Alicia Bárcena disse que é indispensável aumentar a equidade no acesso a medicamentos essenciais e reduzir os tempos de espera e os pagamentos que as pessoas fazem por sua própria conta, bem como expandir as associações com instituições acadêmicas no Caribe e reforçar a colaboração interinstitucional. A ideia de utilizar impostos sobre produtos pouco saudáveis também gera interesse e deveria ser cuidadosamente avaliada por uma sólida análise socioeconômica.

Para obter uma recuperação pós-pandemia resiliente, os países do Caribe necessitam uma força de trabalho saudável e produtiva, ressaltou a Secretária Executiva. O PIB do Caribe caiu 7,7% em 2020 devido à pandemia, somando-se às altas taxas de endividamento que os países da sub-região enfrentam. A CEPAL estima que em 2021 o PIB do Caribe crescerá somente 4,1%.

“Ao adotar um enfoque econômico na análise do problema das DNT, esperamos que as políticas destinadas a promover a saúde e prevenir as doenças não só sejam eficazes em função do custo, mas também possam supor uma poupança, tornando assim mais eficaz o gasto público em saúde”, enfatizou Alicia Bárcena. Trata-se de um problema da sociedade em seu conjunto que deve ser abordado além do âmbito sanitário. “As ações de políticas em matéria de doenças não transmissíveis estão ao nosso alcance. Contem com a CEPAL”, concluiu.